Por Lara Crivelaro
Se você pergunta a um grupo de gestores escolares o que significa “escola do futuro”, provavelmente vai ouvir respostas diferentes. Para uns, é tecnologia. Para outros, é bem-estar dos alunos. Para outros ainda, é sustentabilidade. A boa notícia é que esses três pontos não competem entre si — eles se encontram. E é justamente esse encontro que dá nome ao tema do International Education Summit deste ano: Educação Global e Inovação Sustentável — Construindo Escolas para o Futuro.
Durante anos, internacionalização e sustentabilidade foram tratadas como projetos paralelos na escola: um cuidava de intercâmbios e currículo bilíngue, o outro cuidava de reciclagem e horta pedagógica. Essa separação está ficando para trás.
Em maio deste ano, o Education World Forum, em Londres, reuniu ministros e secretários de educação de dezenas de países — de redes gigantes, como Bogotá, com mais de mil escolas, a redes pequenas, como Falkirk, na Escócia. O que apareceu em comum nos debates não foi uma lista de tecnologias, mas uma pergunta: como formar estudantes que entendam o mundo como um sistema interligado — social, ambiental e econômico?
É essa a ideia por trás de “educação global”: formar crianças e adolescentes capazes de pensar além da própria cidade, do próprio país, do próprio momento. E sustentabilidade deixou de ser conteúdo de uma disciplina isolada para se tornar eixo transversal de currículo, ligado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU — presente na forma como a escola ensina ciências, mas também na forma como gerencia energia, resíduos e espaço.
Não é só um discurso de especialista. Pesquisas recentes sobre tendências em educação para 2026 apontam a sustentabilidade como fator que já pesa na escolha da escola pelos pais — ao lado de currículo bilíngue e uso responsável de tecnologia. As novas gerações de famílias esperam posicionamento claro das instituições sobre o próprio compromisso ambiental e social, não apenas discurso.
Isso significa, na prática, que um projeto de internacionalização bem desenhado hoje raramente é só sobre intercâmbio ou diploma internacional. Ele carrega junto formação para cidadania global: capacidade de dialogar com outras culturas, de entender problemas que atravessam fronteiras — mudança climática, desigualdade, uso ético de tecnologia — e de agir localmente com essa consciência.
Um ponto que vale reforçar: inovação, no sentido que este tema propõe, não é comprar a plataforma mais recente. É repensar metodologia, currículo e espaço de aprendizagem para que façam sentido nesse cenário. Aprendizagem baseada em projetos, espaços colaborativos no lugar da sala tradicional, formação de professores para mediar debates complexos — tudo isso é inovação tanto quanto qualquer sistema digital.
A escola que consegue unir os três eixos — visão global, compromisso com sustentabilidade e inovação pedagógica real — sai na frente não porque tem mais tecnologia, mas porque forma estudantes preparados para um mundo que exige justamente essa combinação: pensar global, agir com responsabilidade, aprender de forma ativa.
É esse o convite do International Education Summit 2026. nos dias 10 e 11 de setembro, em São Paulo: reunir gestores, professores e especialistas para discutir, na prática, como transformar esses três eixos em projeto pedagógico — não em slogan de material de divulgação.
Internacionalização não é programa. É cultura. E cultura de escola se constrói junto, em rede, com intenção — não se compra pronta em nenhum catálogo.

