— Lara Crivelaro
A pergunta que mais ouço de diretores e coordenadores pedagógicos quando o assunto é internacionalização não é “por onde começo?” — é “isso é mesmo para a nossa escola?” Essa dúvida revela o problema central: no Brasil, internacionalizar ainda é percebido como privilégio institucional, não como decisão de liderança.
Os dados mostram outra realidade. O relatório Education at a Glance 2025, da OCDE, aponta que o Brasil investe em educação básica um terço do que países membros da organização investem por aluno. Mesmo com esse gap de recursos, há escolas brasileiras construindo trajetórias internacionais consistentes — não porque têm mais dinheiro, mas porque têm gestores que tomaram uma decisão curricular antes de qualquer outra.
Em 20 anos acompanhando escolas nesse processo, pelo Efígie, o padrão é claro: programas de internacionalização que sobrevivem à troca de diretor são os que entraram no Projeto Político-Pedagógico. Os que ficaram no folder institucional desaparecem na primeira gestão seguinte.
O que líderes que implementam de verdade fazem diferente
Começam pelo corpo docente, não pelos alunos. Professor sem referência internacional não desenvolve competência intercultural em estudante, independentemente do programa oferecido. Formação docente é o gargalo real — e é onde a maioria dos gestores não investe.
Definem o que “ser internacional” significa para aquela escola específica. Para uma escola pública de periferia, pode ser preparar alunos para se candidatar a universidades fora do Brasil. Para uma escola privada de médio porte, pode ser integrar metodologias de outros sistemas educativos ao currículo regular. Não existe um modelo único — existe uma decisão contextualizada.
Medem o que importa. Não o número de alunos que viajaram, mas o percentual que desenvolveu competências verificáveis: comunicação intercultural, pensamento crítico em contextos multilíngues, capacidade de operar em ambientes culturalmente distintos. Sem indicador, não há política — há evento.
O que está em jogo agora
A 4ª edição do International Education Summit reúne líderes educacionais de diferentes sistemas para debater exatamente essas questões: como escolas brasileiras constroem estratégias de internacionalização sustentáveis, com que recursos, com que modelos e com que resultados mensuráveis. É o espaço onde gestores que já estão nesse caminho compartilham o que funcionou — e o que não funcionou.
Internacionalização que não muda o currículo não muda a escola. E escola que não forma para o mundo global está formando para um mercado de trabalho que já não existe.
Saiba mais e garanta sua vaga em https://efigieacademy.com.br/international-education-summit-2026/